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25 de junho de 2016

[Rio Moda Rio] Um suspiro aliviado em forma de semana de moda

Vou propor um exercício. Abra seu feed de blogs e compara com o que você lia há alguns anos. Compara também as pessoas que inspiravam seu estilo quando aquele assunto de it girl surgiu às que inspiram hoje. Agora faça uma compra hipotética. A forma como você escolhia o que comprar a poucos anos atrás continua a mesma?
Aposto que você observou muitas mudanças nessas comparações e é fato, a maneira como a gente consome mudou absurdamente. E isso se extende do consumo de conteúdo ao consumo de produtos. Tudo é parte de um inconsciente coletivo, mas também parte de uma mudança de lifestyle e de visão de mundo.
Nossa vida ta corrida, não temos tempo pra ler sites que nada nos agregam, nos inspirar em looks impossíveis e tampouco usar peças complicadas demais. Estamos valorizando mais o nosso dinheiro, então peça sem qualidade, pouco pensada, não passa nem na imaginação. Estamos valorizando mais a diversidade e, se a marca não respeita e valoriza as nossas diferenças, logo é boicotada.
Até ontem as semanas de moda eram um lugar onde a cultura do antiquado era exaltada e nada disso que falamos tinha espaço. Gente montada demais, looks impossíveis demais, luxo e padronizações demais, gente branca, cis e rica demais. Até ontem, porque o Rio Moda Rio certamente rompeu com isso.


O primeiro destaque é que o Rio Moda Rio não é apenas uma semana de moda, mas um movimento que busca envolver a moda e o povo carioca durante todo ano. Não dá mais pra conter toda essa movimentação criativa em duas semanas por ano só. Não cabe, nunca coube, finalmente alguém admitiu e resolveu mudar.
A democratização da moda era a principal proposta e foi muito bem consolidada. Abrir as portas do evento pro público que não tem contatos para conseguir um convite de marca/lounge já foi um passo e tanto, mas não suficiente. Muita gente ainda se sente desconfortável nos corredores de um evento desse nível (porque a opressão social ainda acontece) e nem todo mundo pode pagar 65 reais por dia de um evento de moda.
Mas sabe o que aconteceu? Numa das ações que me encantou no evento, a moda foi até o público. O último dia levou um compilado de looks desfilados nas salas restritas a convite para quem estivesse passando na Praça Mauá. Não precisava de ingresso ou pedir licença pra entrar, era só parar, observar e fazer parte daquilo.
Os desfiles, aliás, pareciam integrados. A proposta “Rio de Janeiro” estava muito clara em todos eles. Permitida a liberdade criativa da passarela, tudo era pensado pro público que estava assistindo e poderia adquirir aquelas peças (algumas delas, já estavam sendo vendidas ali mesmo no Pier). O espaço foi democratizado até para novos estilistas que, no espaço Experimente, puderam expor seus trabalhos e que terão a oportunidade, através de iniciativas ao longo do ano, de ganhar mais visibilidade.

Um pedacinho do espaço Experimente
E a diversidade do público não poderia ser maior (mentira, sempre pode). Nunca vi tanta representatividade num corredor de evento de moda. O público branco cis de luxo vestido de label tava lá sim, mas as negras maravilhosas, as drags montadas (Ravena Creole, queridos!!) e tantos outros grupos que não costumam ter voz em locais elitizados também.
O tema era uma preocupação até nos bate papos. O espaço Natura, por exemplo, falou muito sobre isso, sobretudo no papo com Clara Averbuck, DJ Zé Pedro e Carlos Tufvesson, que aconteceu no segundo dia. Os bate papos, inclusive, foram um destaque a parte do evento. Mesmo quem não viu desfile nenhum ou comprou nenhuma peça, saiu transbordando de novas ideias e conhecimento.
Bate Papo da Natura sobre diversidade no segundo dia de evento
Conversa cheia de amor sobre a influência do streetwear promovida pela Elle  com Felipe Veloso,  Thomaz Azulay, Vivian Witheman e Chantal Sordi.

A nossa maneira de ver a moda, de interagir com ela mudou e enfim alguém entendeu. O Rio Moda Rio não trouxe só nossa semana de moda carioca de volta, trouxe uma renovação pra lá de necessária que, torçamos, pode acabar alcançando as outras semanas de moda nacionais. Finalmente o futuro me parece promissor.

E os desfiles?

Eu realmente não vou ousar fazer uma análise detalhada, até porque não pude assistir a todos presencialmente. No canal do YouTube do Rio Moda Rio tem todos os desfiles e no site da Lilian Pacce tem imagens de todos os looks, além de análises com selo Jorge Wakabara de qualidade.
Porém, preciso expressar alguns sentimentos e falar dos meus preferidos: Andrea Marques ta de volta da maneira mais linda que poderia voltar, com um desfile que tinha cara de poesia. È impressionante como Isabella Capeto nasceu pra desfilar no Rio, é como assistir uma pessoa em sua própria casa. Aliás, a respeito da moda como despertador de emoções que falei no outro texto, o desfile da Isabella arrancou lágrimas do público, da produção e até das modelos.
Lino, o que dizer né? Born and raised showman. Ele desfilou em três cidades diferentes só nessa temporada e levou três desfiles diferentes e adaptados a cada cidade que, no final, se juntam e viram uma coleção só. Pra qualquer um não é mesmo. E, por fim, to bem feliz com a estreia da The Paradise nas passarelas. A marca é um compilado de tudo o que a gente anda precisando na moda. É inovadora, é artística, é colorida, é genuínamente carioca, é figura garantida no hall do sucesso das semanas de moda, logo, logo.

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